Pela Música! Pela Cultura!

concerto-na-sala-sao-paulo
Marcio De Assis [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

É uma sexta-feira, clima quente, você decide que vai assistir a um concerto. Você se arruma, pega seu carro, ou chama um veículo por aplicativo, ou vai de ônibus até a sala de concerto. Chegando lá você passa pela portaria, se identifica com quem estiver na recepção, se encaminha para a sala.

A sala de concerto, como sempre, está limpa, impecável. A temperatura agradável, a luz ainda está forte para que todos encontrem seus lugares. Outros atendentes estão dentro da sala para ajudar aqueles que tem dificuldade. Você pega seu programa de concerto, com informações sobre a apresentação do dia. O programa tem umas cinco páginas, cheias de informações. 

Está chegando a hora do concerto. Você senta em seu lugar, toca o primeiro sinal, você senta. Toca o segundo sinal, e no terceiro a luz já começa a ficar mais baixa.

A luz do palco agora está mais forte, entram os músicos, palmas! Cada músico chega com seu instrumento e sua partitura, cheia de anotações, rabiscos, resultados de uma semana de pesquisa e ensaio. Entra o maestro, mais palmas.

O maestro se dirige ao público, o maestro também passou boa parte do tempo pesquisando a peça que será executada, o compositor, tudo.

Começa o concerto. Agora é preciso fazer silêncio. Você está ouvindo uma peça de dois, ou três séculos atrás. A peça é complexa, densa. Você olha para o programa e entende mais sobre o motivo dessa obra ter toda essa densidade. Você compreende, aprende um pouco sobre história, ouve uma música belíssima, ela te faz relaxar, te faz pensar, refletir.

A peça termina, palmas! Agora é o intervalo. Você sai, vai ao bar, é bem atendido. O descanso acaba, você volta ao seu lugar e assiste a outra peça.

Faz a mesma coisa, lê no programa, descobre mais coisas sobre a peça que está sendo apresentada. O concerto acaba, palmas!

Você passou duas horas em uma sala de concerto. Outras pessoas passaram uma semana se preparando para que as suas duas horas fossem as melhores possíveis. Mais pessoas cuidaram para que você chegasse e tivesse a melhor experiência possível. Ainda mais, houve pessoas que pesquisaram sobre a história da música que você ouviu, para te dar toda a informação para que você pudesse ter a melhor experiência.

E claro, teve uma pessoa que dedicou grande parte da vida a compor uma peça, mesmo sem saber que você iria ouvir, mas pensando em fazer o melhor que ela poderia.

Isso é música, isso é cultura. Cultura não é algo que possa ser descartado, cultura não é supérfluo. Cultura faz gerar renda, faz gerar emprego, faz gerar senso crítico, faz gerar cidadão consciente.

Isso que escrevi aqui acontece em qualquer lugar. Toda vez que você vai ao cinema, a um concerto, a um show, a uma festa popular, saiba que tem muitas pessoas envolvidas, comprometidas, e que precisam disso.

2019 foi muito cruel. E grande parte dessa crueldade foi direcionada a cultura. Precisamos ter mais consciência e darmos mais valor àquelas pessoas que fazem de tudo para que a cultura chegue até a gente, da melhor forma possível. Que 2020 seja leve, e cheio de cultura!

CLOVIS-RIBEIRO
Clóvis Ribeiro

Produtor, repórter e apresentador do programa Harmonia, da Rede Minas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor escreva seu comentário!
Por favor insira seu nome aqui