Conheça a guitarra Fender Mustang American Performer

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Temos que admirar a pequenina Mustang. Desde 1964 ela viveu e trabalhou nas sombras dos lendários irmãos mais velhos – muitas vezes sendo desprezada por guitarristas “sérios” como sendo o equivalente musical de uma bicicleta com rodinhas. Mas com o cosmos da guitarra elétrica se expandindo para além dos limites musicais estabelecidos (e das idéias obsoletas sobre o que faz uma grande guitarra elétrica), os argumentos a favor dos timbres suaves e da tocabilidade da Guitarra Fender Mustang estão mais fortes do que nunca.

Fora uma lacuna nos anos de transição da Fender nos anos 80, a guitarra Mustang permaneceu em produção praticamente constante desde 1964. E embora os roqueiros tradicionais nunca tenham dado muita atenção ao modelo, Kurt Cobain, Sonic Youth, Mudhoney e Ty Segall, entre muitos outros, conseguiram fazer música fantasticamente poderosa, até mesmo revolucionária, com a Mustang.

A nova guitarra Fender Mustang American Performer é a primeira Mustang produzida nos EUA desde 1982. Também é uma das Mustangs mais refinadas. Grande parte do refinamento está nos novos captadores Yosemite Alnico II e IV projetados por Tim Shaw e em uma versão mais estável da idiossincrática ponte Fender Dynamic Tremolo. Ambas as melhorias estão relacionadas com as deficiências do design antigo e se combinam com os pontos fortes próprios da Mustang. Não por coincidência, talvez, este conjunto seja de interesse potencial para músicos contemporâneos loucos por pedais.

A visionária compacta

Tanto se fala do status de modelo de estudante da Mustang e de sua associação com visionários musicais que sua beleza e design inspirado são frequentemente negligenciados. Embora possa não ter as linhas esbeltas de uma Stratocaster ou a simplicidade perfeita de uma Telecaster, ela é bem proporcionada – um feito surpreendentemente complicado ao se projetar uma guitarra de corpo pequeno.

Essas proporções não são apenas esteticamente agradáveis. Elas também se traduzem em um instrumento muito confortável, leve e bem equilibrado com o qual posso me sentar feliz por horas a fio. Tal conforto ressalta o fato de que a Mustang é um instrumento ideal para guitarristas de baixa estatura ou de mãos pequenas. Dito isto, certamente ela não passa a sensação de ser um modelo de estudante quando você toca.

A escala de 24 polegadas faz com que um bend super-expressivo seja uma moleza (especialmente com o conjunto de cordas 0.009 que acompanha a guitarra). E eu não me senti menos “profissional” mergulhando no estilo que a escala curta permite e encoraja. Acordes também são um prazer no braço de escala de 24″. E, embora eu tenha certeza de que guitarristas com patas extra-grandes possam achar o braço da Mustang apertado, acho que a maioria encontrará a facilidade com a qual é possível executar formas de acordes estendidos, criativamente intrigantes.

O conforto do braço mais curto é reforçado no caso da American Performer Mustang pelo perfil C moderno da Fender, trastes jumbo e raio da escala de 9,5″. Na maioria das guitarras Fender eu prefiro um raio de estilo vintage de 7,25″ ou menor. Na Fender Mustang, no entanto, a nova combinação realmente funciona – adicionando uma boa sensação de estabilidade, suavidade e peso.

Se há uma desvantagem nessa receita, são os trastes jumbo, que podem elevar a entonação se você tiver mãos pesadas. Os guitarristas menos experientes que ainda estão tentando encontrar seu set-up ideal de trastes devem definitivamente passar algum tempo com a Mustang para descobrir se os trastes jumbo se encaixam em seu estilo. A regulagem de fábrica, a propósito, estava excelente. A entonação estava perfeita. E embora a ação estivesse um pouquinho alta para o meu gosto, abaixar a ponte com meia volta em cada um dos parafusos de montagem colocou a guitarra exatamente na minha zona de conforto.

A ponte Dynamic Vibrato, ainda que melhorada, permanece peculiar como sempre – e muito divertida. É um componente estranho, instável e às vezes hiperativo, com um mergulho de pitch rápido que parece menos elástico do que um vibrato Stratocaster ou Jazzmaster. Ela fica ligeiramente acima do corpo e, em geral, requer um toque sutil. Mas dominar esse toque produz texturas de vibrato realmente incomuns que ficaram mais satisfatórias com a estabilidade aprimorada da nova unidade.

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Saída oxigenada

Em comparação com outras guitarras Fender, a saída da Mustang é relativamente moderada. Não tem a mordida de uma Telecaster, o ataque da Jaguar ou a amplitude e volume total de uma Jazzmaster. Mas, para muitas aplicações, a saída da guitarra Fender Mustang é indiscutivelmente um quadro em branco mais versátil.

Com estes novos captadores Yosemite, a Mustang usa alnico 2 nos ímãs na ponte e alnico 4 nos ímãs do braço. Ambas as unidades exibem características clássicas associadas aos seus respectivos tipos de ímãs. O captador da ponte é arejado da primeira à sexta corda. Falta um pouco das pontas rudes que você espera dos captadores da ponte de uma Fender. Mas ainda é brilhante, presente e cheio de ar, criando uma mistura viva entre captadores de ponte Stratocaster e os Rickenbacker toaster-top . A saída mais contida e uniforme é uma excelente combinação para pedais de overdrive e efeitos baseados em tempo configurados para sons expansivos. E o que se perde em musculatura, ganha-se em articulação e detalhismo.

O captador de alnico 4 também é articulado e responsivo. É muito menos enfumaçado e menos macio nas frequências graves do que muitos captadores de braço da Fender. E você certamente não vai confundir a Fender Mustang com uma Gibson ES-335 em uma mixagem. Mas é ideal para sugerir suavidade jazzística em acordes e linhas de solo sem fugir metaforicamente para algum porão úmido de Greenwich Village. Combinar os captadores, mais uma vez, sugere um cruzamento legal de Fender com um certo ar de toaster-top – uma combinação incrível para mim. E em todas as combinações os captadores são muito silenciosos para single-coils.

O Veredito

As muitas virtudes da guitarra Fender Mustang – conforto e equilíbrio, timbres arejados e abertos – revelam que ela é uma guitarra de muitas possibilidades. A qualidade de construção é excelente. A tocabilidade e as dimensões compactas tornam a guitarra positivamente convidativa para segurar e tocar. E embora os timbres dos captadores Yosemite não satisfaçam os Fenderófilos que preferem o lado mais barulhento do espectro single-coil, eles são um conjunto cuidadosamente musical que provoca interação criativa com o instrumento – especialmente quando você tem vários efeitos atmosféricos em sua linha.

Charles Saufley

© Artigo originalmente publicado em Premier Guitar, traduzido e publicado por Musicosmos sob licença de Premier Guitar. Todos os direitos reservados. All rights reserved. Visit www.premierguitar.com

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