Highway 61 Revisited, de Bob Dylan (1965)

O álbum que apresenta ao mundo um recém-libertado Bob Dylan, agora livre para gravar com uma banda de rock, se desejasse.

Muito já foi escrito e dito sobre cada um dos álbuns de Bob Dylan, tanto que é fácil se perder nos vastos labirintos dos mitos que os cercam. Um grande exemplo é a história do choque causado quando Dylan pegou uma Stratocaster, evento também conhecido como “o dia em que a Terra parou”. Parece ridículo hoje em dia pensar que possa ter ter havido tanto burburinho sobre a sua decisão de tocar algumas músicas com um grupo de rock, especialmente sendo – mesmo pelos padrões da época – um rock bastante inócuo.

Ainda assim, escapar de fundamentalistas de qualquer crença não é uma coisa ruim, e foi um recém-libertado Bob Dylan, poucos dias depois de sua polêmica aparição em Newport, quem gravou este Highway 61 Revisited com uma banda de rock. Este é o ponto em que Dylan firmou ambos os pés no terreno que tinha sido parcialmente descoberto em Bringing It All Back Home, em 1965, e se enterrou até o pescoço.

É fácil não se dar conta do brilho de “Like A Rolling Stone”, já que a canção que já faz parte do imaginário musical há quarenta anos. No entanto, o frescor e as ideias inovadoras, ao lado dos assobios das linhas de órgão de Al Kooper, tudo se soma em um número 10% clássico com uma das melhores performances vocais até hoje.

Embora comparativamente silenciosa em termos de instrumental, a “Ballad Of A Thin Man” não é menos mordaz. Nem todas as imagens escondidas dentro dessas letras cada vez mais floreadas soam bem, mas não há dúvidas quanto à atitude que salta de cada sílaba. O arranhão abrasivo de sua voz encontra par no barulhento tumulto de “Tombstone Blues” com uma espetacular momento de guitarra de Mike Bloomfield antes do penúltimo verso.

Para meus ouvidos, pelo menos, Dylan funciona melhor quando é mais conciso. Embora os puristas possam encontrar refúgio nos onze minutos acústicos de “Desolation Row”, e considerar qualquer discordância como sacrilégio, essa verbosidade se arrasta um pouco em comparação a uma coleção revigorante de músicas que leva as coisas em um ritmo acelerado.

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