Pedal Electro-Harmonix Sovtek Deluxe Big Muff Pi

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O que foi que eu disse em um artigo anterior, testando o novo Electro-Harmonix Triangle Big Muff? Dito e feito, aqui estamos nós novamente testando mais um fuzz para guitarra: o Sovtek Deluxe Big Muff Pi. O novo lançamento é inspirado na versão russa do lendário efeito EHX. Ele exibe um visual limpo e arrumado, com os poucos controles bem organizados e espaçados corretamente: no topo, da esquerda para a direita, temos Volume, Blend, Tone, Sustain, Gate. Atenção especial ao Blend, que mistura o som original seco com o efeito, e ao Gate, que regula a intervenção do redutor de ruído. Como costuma ser em um fuzz, o Sustain indica o nível de distorção e, consequentemente, de sustentação.

À direita, a seção que mais caracteriza esse efeito Electro-Harmonix: os dois knobs Mids Level e Mids Freq, acompanhados pelo microinterruptor de duas posições High Q / Low Q, na prática um controle de equalização paramétrico muito eficaz da faixa de médios, com duas bandas de frequências selecionáveis. É possível conectar um pedal de expressão (conectado à entrada lateral Exp) para ajustar as frequências médias de maneira contínua: um efeito devastador, já adianto! Dois interruptores footswitch, Bypass e Mids, equipados com os respectivos LEDs, permitem ativar o pedal e a seção de controle dos médios. Finalmente, o mini-switch Wicker atenua bastante os agudos da distorção, como veremos mais adiante.

Uniforme russo

A empresa de Nova York afirma ter colocado neste novo pedal de cor azul-acinzentada “Guerra Civil” (cinza dos uniformes do sul, azul do norte), tanto o som do fuzz russo de 1991, com uma estética chamada Tall Font, quanto o fuzz subsequente Bubble Font, ambos “uniformizados” em Green Russian – circuitos semelhantes com mas tipografias diferentes.

Em resumo, estamos falando sobre o fuzz da época em que o chefe da Electro-Harmonix, Mike Matthews, tentava recuperar o controle de sua empresa – que após a falência acabara em mãos russas. A mudança de comando, no entanto, não impediu o glorioso Big Muff de enriquecer sua linhagem com apreciados efeitos de voz ligeiramente diferente dos modelos americanos, em particular uma sonoridade mais maciça e agressiva, com menos médios e mais graves, especialmente na versão verde Tall Font.

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Interior do pedal

Ganho transistorizado

A robusta caixa pintada abriga todo o circuito em uma placa de um tipo que hoje em dia é usual, um misto de componentes comuns e SMD. Além de alguns capacitores cerâmicos, diodos e transistores de silício necessários para ganho e distorção, observamos dois circuitos integrados RC4558, conhecido amplificador operacional duplo com uma longa história de serviços prestados em efeitos de guitarra elétrica. No entanto, eles são usados apenas na seção Mids EQ, propiciando sua excelente qualidade de som, como veremos.

Outros circuitos integrados são usados para o Gate, buffers de entrada (podem ser desativados) e para a saída do circuito. O pedal é true-bypass e é alimentado por uma bateria de 9 V. Alternativamente, uma fonte externa pode ser usada – o consumo de energia do pedal é de 22 mA, então é prudente reforçar a alimentação.

Médios cheios

Ao testar o som você pode confirmar as premissas da Electro-Harmonix: o som básico do Sovtek Deluxe Big Muff Pi é completo e espesso, inclusive nos médios, sem “scoop“, muito agressivo sem ser áspero. Há muito ganho disponível, repito: muito! E até agora estamos satisfeitos com a adição de um caráter adocicado e utilizável que os projetistas parecem estar devolvendo às novas distorções da Electro-Harmonix.

Lembro-me do Big Muff ser inutilizável fora de intenções avant-garde, indie, ambient ou iconoclastas. Este não é mais o caso. Mesmo que o rock pesado seja sempre preferível, com este novo Sovtek Big Muff Pi podemos tocar qualquer gênero, o equipamento permite isso, começando com o mini-switch Wicker, que torna a distorção mais aberta nos agudos e com mais ataque, levando-nos ao território do metal.

O controle Blend permite misturar os sons com efeito e sons secos, o que é útil para manter, por exemplo, definição nos graves.

Excelente, ouso dizer perfeita, é a operação do Gate ao reduzir, praticamente zerando, o ruído associado a alto ganho, sem distorcer o som original e sem causar efeitos irritantes no final das notas. Ah, e há todo o rico setor de controle paramétrico de médios!

O paramétrico

O botão Mids Freq permite que você escolha entre 310 e 5000 Hz a faixa de frequência na qual vai atuar o aumento ou diminuição de até 10 dB com o botão Mids Level (ambos os botões tem um ponto fixo no meio do curso). O mini-interruptor HIGH Q/LOW Q seleciona dois níveis de ressonância. É fantástica possibilidade de controlar continuamente a escolha de frequências por meio de um pedal de expressão conectado ao soquete apropriado. O efeito wah obtido é poderoso e dramático. Também é possível usar um controle de tensão externo (0-5 V).

Controles escondidos

Este brinquedo não seria perfeito se não escondesse nenhum segredo. De fato, dentro do Sovtek Deluxe Big Muff Pi, encontramos uma chave deslizante para inserir um bom estágio de buffer na entrada (também operando com o fuzz desativado, fazendo com que o efeito não seja mais true-bypass) e três trimmers para ajustes alternativos de largura de banda do HIGH Q, nível de saída geral e o nível de saída da seção Mids EQ. Não sei quantos vão querer fazer estes ajustes, mas é bom fotografar ou marcar as posições de fábrica para poder desfazer seus passos se as suas regulagens não surtirem os efeitos desejados. Tudo está bem explicado no manual que acompanha o pedal.

Um FUZZ muito versátil

Definitivamente, o Sovtek Deluxe Big Muff Pi é um excelente e completo pedal fuzz. Ele lembra realmente as distorções Electro-Harmonix construídas na Rússia nos anos 90, mas é muito mais versátil graças aos controles adicionais, começando com o interruptor Wicker que suaviza/endurece o som. Além de “varrer” o midrange, eu achei a seção Mids EQ extremamente útil para fazer o ajuste fino do timbre, conseguindo obter com este pedal nitidamente heavy rock até mesmo uma sonoridade crunch perfeita para fusion ou blues.

Um defeito menor pode ser uma certa falta de personalidade nesta milésima variação do Muff que, apesar disso, faz da versatilidade sua melhor arma.


Originalmente publicado na revista Axe Guitar Magazine nº 15 – Traduzido e reproduzido por Musicosmos com autorização de Edizioni Palomino, Rome (Itália) – © Edizioni Palomino – Todos os direitos reservados.

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