Gamechanger Audio: Robôs, Bug Zappers & Sonhos Motorizados

Shawn Hammond, Premier Guitar.

Durante a feira Summer NAMM de 2017 o estande da Gamechanger Audio – pouco maior que uma mesa de jogo – foi colocado na parte dos fundos, no meio daquelas mercadorias que fazem você apertar o passo e evitar contato visual. Você arrisca um olhar para o produto solitário em exibição, uma caixa preta fina com um pedal de sustentação estilo piano, de bronze, e não pode deixar de pensar que parece ser uma solução em busca de um problema.

E, no entanto, a seriedade/nervosismo dos jovens de vinte e poucos anos atrás da mesa faz você se perguntar. Será que eles sabem como o nome de sua empresa impressiona a todos? Eles percebem quantas das pessoas que estão passando estão rindo por dentro por causa de sua absoluta audácia?

Intrigado, você pára e inicia uma conversa. O sotaque eslavo é imediatamente nítido. O líder se apresenta como Ilja, liga uma guitarra e começa a explicar o dispositivo de aparência estranha. Seus olhos vagam de volta para o pedal de piano, e você sente uma onda de pessimismo interior misturada com piedade e horror: esses caras gastaram um monte de dinheiro em uma viagem transatlântica apenas para exibir um pedal de aparência peculiar?

Mas quanto mais você ouve – tanto as palavras que saem da boca de Ilja, quanto as assustadoras camadas de sons texturizados vindos do Plus -, mais você percebe que talvez o bobo seja você.

Seis meses depois, a equipe da Letônia está novamente no NAMM, só que desta vez é o grande show de inverno em Anaheim. Além disso, eles agora estão no principal andar da exposição – onde os cachorros grandes brincam. Seu estande tem quatro vezes o tamanho do anterior e está cheio de guitarristas ansiosos para experimentar o mais recente lançamento da Gamechanger: uma caixa fuzz deliciosamente violenta chamada de Plasma Pedal, que parece ser mais convencional que o Plus… até que você veja que o sinal de entrada está passando por um tubo cheio de gás xenônio literalmente como um relâmpago.

Avançamos mais um ano. A Gamechanger (gamechangeraudio.com) está de volta no andar principal do Winter NAMM, e a tripulação, elegante em gravatas finas, camisas brancas e calças pretas, é ainda maior. Os dispositivos mais recentes da empresa – protótipos do Motor Pedal e Motor Piano que combinam informações de notas musicais com sons mecânicos que emanam de uma série de motores giratórios em miniatura – não apenas comprovam que a Gamechanger Audio tem o nome certo. Eles deixam claro que é hora de a PG (Premier Guitar) conhecer mais de perto para este grupo de designers verdadeiramente inovadores.

Motor Pedal, da Gamechanger

“Eu odeio pedais… e acho que esse mundo dos pedais de boutique é enfadonho… e meio bobo.”

Isso não é bem o que esperamos do chefe de uma equipe cujos únicos produtos no momento são pedais. É mais parecido com o que esperamos, digamos, de um músico hardcore de rockabilly. Curiosamente, Ilja Krumins é ambas as coisas.

“Não nos vemos como uma empresa de pedais, e não nos vemos como nerds de pedais”, ele diz com naturalidade por meio de vídeo-chamada direto do escritório de dois andares da empresa em Riga, Letônia. “Estamos tentando encontrar maneiras interessantes de sujar o som… para extrair sons de coisas interessantes.”

Vamos começar falando da sua história como músico. Quem eram seus guitarristas e bandas favoritas?

No início, Jimi Hendrix, Deep Purple, as bandas óbvias que você gosta quando está começando. Aqueles que fizeram a guitarra ser legal. Logo depois foi Stevie Ray Vaughan e Brian Setzer. Depois provavelmente John Scofield. Hoje em dia meu guitarrista favorito é J.J. Cale.

Eu comecei a tocar quando tinha 16 anos. Minha primeira guitarra foi uma American Strat de 1978, que era super rara por aqui. Custou US$500. E foi uma grande motivação para tocar. Em um ano, eu e Matiss (Tazans, baterista e gerente de marketing e relações públicas da Gamechanger) nos conhecemos e formamos uma banda de rock ‘n’ roll típica, baseada em escala pentatônica.

Há quanto tempo foi isso?

Bem, eu e o Matiss tínhamos 17 e 18 anos. Agora temos 27 e 28 – ah, porra, isso quer dizer que foi há 10 anos. Merda! Ok, então sim, então começamos, tipo, tirando todas as coisas do rock clássico, escrevendo nossas próprias músicas. A banda se chamava Acid Rain. Nós tocávamos o básico do rock de tiozão, tocado com muito entusiasmo e energia.


Nossos Comerciais:

Voltamos à programação normal:


Que tipo de equipamento você usava nesse início?

Eu odeio pedais. Eu só tinha um Tube Screamer e um Danelectro Dan-Echo. Eu amava esse eco, porque é um dos poucos que faz um bom slapback – e tem um controle de timbre. Não entendo porque os pedais de delay raramente oferecem um botão Tone. Quando eu quero um slapback tipo rockabilly, eu quero que ele seja realmente crocante e estridente, porque eu quero soar denso. Mas se eu estou querendo um delay mais lento, eu quero tirar os agudos, ou fica aguado. Eu também tive um Fulltone Supa-Trem. Então, sim, guitarra Gretsch, Tube Screamer, delay , tremolo e um amplificador estilo Fender.

Passamos cerca de um ano nos ensaios e, durante dois anos, tocávamos ativamente em clubes. Nós éramos muito barulhentos e apenas nos divertíamos, compensando nossa falta de habilidade com energia. Foi um tempo muito bom e inocente. Então eu e Matiss percebemos que queríamos tocar mais e tentar fazer disso um trabalho. Em algum momento, nós saímos do rock clássico e ficamos fascinados com os gêneros norte-americanos. Nós montamos uma banda chamada Big Bluff, que era uma banda cover de rockabilly/country/rock ‘n roll. Passamos muitos anos tocando, tentando aprender esse tipo de música corretamente, mas tocando-as bem alto e com uma atitude jovem de rock’n’roll. Nós fomos super influenciados por psychobilly.

E depois?

Em 2012 ou 2013, eu, Matiss e nosso baixista, que tocava contrabaixo acústico, nos mudamos para Londres e começamos a escrever nossas próprias músicas. Nós pensamos, Ok, o Stray Cats se tornaram muito populares e passaram um tempo em Londres… Nós estávamos seguindo essa direção, mas misturando riffs muito pesados com slap bass através dos pedais da Boss. Nós todos amamos o baterista da Stray Cats (Slim Jim Phantom), que usa um kit stand-up, então nós reconstruímos o kit do Matiss. Ele tem esse gigantesco kit de bateria Ludwig estilo Bonham dos anos 70, e nós modificamos para que ele pudesse ser tocado de pé. Este bumbo maciço e freakazoid da Ludwig ficava em uma estante, virado para cima. Era eu em uma guitarra Gretsch, Matiss nessa monstruosidade Ludwig, e esse cara maluco no contrabaixo tocando com pedais de fuzz. Nós pensávamos que íamos dominar o mundo com essa mistura estranha.

Quanto tempo vocês ficaram em Londres?

Três anos. Eu até frequentei uma escola de música. Matiss e o cara do contrabaixo não duraram tanto. O baixista saiu depois de um ano. Matiss ainda ficou por um tempo, mas não conseguimos encontrar um substituto que fosse bom no contrabaixo. Eu fiquei para terminar a escola.

Que escola era essa?

Chamava-se Guitar Institute, mas agora se chama ICMP – Institute of Contemporary Music Performance. É basicamente uma versão Londrina da Berklee ou do Musician’s Institute.

Em qual curso você estava matriculado?

Chamava-se Creative Music ou algo parecido. Tinha um pouco de gravação, um pouco de tecnologia, um pouco de composição e um pouco de guitarra. Eu tinha um professor de guitarra italiano muito legal me ensinando a debulhar um sweep-picking em uma guitarra prog-metal de 7 cordas.

Parece muito uma coisa sua.

(Risos) Tente aprender sweep em uma Gretsch com cordas de calibre .012! Eu também estava trabalhando em um emprego, tentando conseguir shows e assistindo outras bandas. Eu não estava muito focado na escola. No meu terceiro ano, eu tinha um ótimo emprego: eu era o cara da noite em um hostel. Ficava lá das 11 da noite até as 8 da manhã, assim tinha pelo menos cinco horas de tempo livre para tocar guitarra.

Então você estudou por três anos. Você se formou?

Sim. No terceiro ano comecei a me interessar. Tivemos uma tarefa em que tínhamos que apresentar um plano de negócios baseado em tecnologia e, de alguma forma, fiquei obcecado com uma ideia teórica de um software musical.

“Comida e cerveja devem ser feitas à mão, com amor. A eletrônica deve ser feita com precisão pelos robôs alemães.”

Qual era o conceito?

Eu realmente espero desenvolvê-lo em algum momento, então eu não quero divulgar! Eu tive uma graduação decente, no entanto. Eu tive muitos elogios dos professores.

Parece que no último ano da escola você mudou de ser um músico para entrar no negócio de equipamentos.

Sim exatamente. A banda se separou e os dois se mudaram, então eu estava lá sozinho. Além disso, eu machuquei meu punho e não pude tocar guitarra durante o terceiro ano. Mas eu tinha o trabalho onde estava sentado a noite toda pensando em coisas. Eu tive que encontrar uma coisa nova para ficar obcecado. Você sabe, quando você abre a Caixa de Pandora e novas ideias começam a aparecer antes mesmo de você terminar a antiga? Eu percebi que tinha uma nova ideia! A ideia era… você ainda me vê – o meu vídeo está ligado?

Sim, estou te vendo.

Esta é a Gretsch que comprei quando eu e Matiss tinhamos 18 anos e trabalhamos em Helsinki, na Finlândia. A ideia era: e se eu tivesse algum tipo de coisa emitindo uma força magnética aqui (aponta para o tailpiece da Bigsby B6)? Quando eu viro a alça assim (posiciona a alavanca sobre o cordal), ela entra no campo magnético e começa a subir e descer – e há controles para profundidade e velocidade também. Eu não sabia absolutamente nada sobre física e forças exponenciais, então passei muito tempo construindo essa ideia estúpida.

É uma ótima ideia!

Eu passei um ano construindo, então obviamente eu adorei. Eu tive a energia e entusiasmo para juntar uma bateria e um motor com uma correia. Mas se você se afastasse um pouco e desse uma boa olhada, era estúpido. Era uma enorme engenhoca – não fazia sentido como produto comercial. Mas eu me diverti muito com isso, e foi uma lição prática de como fazer algo do zero.

Quando terminei o tremolo, eu já tinha a ideia do Pedal Plus, mas não tinha uma equipe. Eu sabia que não seria capaz de construí-lo sozinho, então comecei a conversar com alguns caras que conhecia da cena do rockabilly, e descobri que eles são engenheiros eletrônicos. Eles são os co-fundadores da Gamechanger Audio.

São quatro co-fundadores, certo?

Certo. Mārtiņš Meļķis e Kristaps Kalva – além de serem músicos legais de rockabilly – são engenheiros extremamente talentosos e qualificados. Ambos foram estudantes destacados da Universidade Técnica de Riga e foram imediatamente contratados pelas maiores empresas de eletrônicos. Eles não são do tipo guitarrista-pega-um-ferro-de-solda-e-aprende-no-google, eles eram ambos engenheiros bem-formados com trabalhos de prestígio em tarefas de desenvolvimento de tecnologia e manufatura muito avançadas.

Eu achava que eles eram músicos em tempo integral, mas assim que descobri que eram engenheiros, eu me aproximei de Kristaps e contei a ele sobre a ideia do Pedal Plus. Conversamos por cerca de uma hora, apertamos as mãos e fizemos um acordo para abrir uma empresa e construir essa coisa. Dois dias depois, Mārtiņš chegou a bordo e, cerca de uma semana depois, convertemos meu apartamento na oficina da Gamechanger.

Didzis Dubovskis chegou a bordo três, quatro meses depois. A princípio, apenas como consultor, mais tarde – na época da nossa primeira NAMM de inverno – em definitivo. Ele passou seis anos em uma companhia aérea chamada SmartLynx, onde trabalhou como gerente de vendas, sendo o segundo no comando. Nós éramos amigos na escola, depois ele foi estudar economia. Tocou baixo por um tempo, mas depois virou um engravatado. Ele sempre foi o cara mais bem-sucedido no meu círculo de amigos. Ele era, e ainda é, um fã maluco do Metallica, Rammstein e do Black Sabbath.

O que aconteceu depois que a equipe fundadora da Gamechanger se juntou?

Começamos a trabalhar no Plus em outubro de 2015 e passamos um ano e meio desenvolvendo-o. Todo mundo terminava o trabalho diurno por volta das 6 horas, das 6 às 7 todos jantavam, e às 7 todos se encontravam no meu apartamento para trabalhar até a 1 da manhã. Sábados e domingos, trabalhamos o dia todo. Ingenuamente, pensamos que levaria dois ou três meses e estaríamos prontos para o Natal. Finalizamos para o Natal seguinte.

O que inspirou a ideia do Plus?

Foi quando não conseguimos encontrar um baixista em Londres. Eu tinha alguns shows marcados e decidimos tocar no estilo White Stripes – bateria e guitarra. Tentei encontrar pedais de delay e shimmer reverbs para fornecer algum tipo de pano de fundo, mas não parecia bom. Nós acabamos rearranjando todas as músicas, e eu estava tocando riffs ao invés de solos. A ideia estava vivendo em mim por muito tempo, mas em alguma parte escondida do cérebro.

Então foi inspirado por querer preencher o espectro sonoro no formato de um duo. Você teve a ideia exata sobre como isso seria feito?

Eu tive a ideia completa, mas muito básica: o pedal iria selecionar um loop, seria preto, o nome seria Plus Pedal, e teria um pedal de piano de bronze nele. Então começamos a ler livros e foi, tipo, Ok, vamos ter que programar isso. Quem sabe programação? Ninguém. Vamos começar a ler sobre essa merda. Nós avaliamos quais habilidades iríamos precisar, e então aprendemos um pouco e fomos adiante.

Nós fizemos uma campanha de crowdfund para o Gamechanger Plus e foi um grande sucesso. Nós aparecemos no NAMM de 2017 e ficamos realmente nervosos, porque colocamos muito trabalho e nosso próprio dinheiro nisso. Mas todo mundo adorou – todos os jornalistas e grandes músicos. Dois membros da banda de Roger Waters nos enviaram um e-mail no segundo dia do NAMM.

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Plus Pedal

E quanto ao Plasma – como surgiu essa ideia?

Depois do NAMM, começamos a pensar: Ok, o que vamos lançar na feira NAMM de Inverno (2018)? Nós sentimos aquela pressão do segundo álbum: Merda, nós fizemos uma coisa, está vendendo bem e é um grande sucesso – mas agora as pessoas estão esperando algo mais! Como nosso nome indica, Gamechanger, não estamos interessados em fazer um pedal de boost, um delay, um tremolo, um reverb, um flanger ou phaser, blah blah blah. Em termos de engenharia, isso não é um grande desafio para nós. Nós não somos fanáticos por pedal – eu não sei as diferenças entre todos os flangers que já foram lançados. Existem outras empresas que fazem isso.

A maneira como queremos avançar é deixar os especialistas em pedais fazer o trabalho deles. Nós não temos experiência nesse mundo – e isso tem muito a ver com crescer na Letônia: Literalmente, 10 anos atrás, quando éramos crianças, tudo o que tínhamos nas lojas daqui eram os pedais da Boss.

Então, depois da NAMM, acabamos dirigindo para Buckhorn, no Kentucky, a caminho de Nova York. Nós ficamos em um ridículo Airbnb campestre no meio do nada que costumava ser um velho estúdio de gravação de bluegrass. Havia caras com um pouco de palha em seus dentes. Não havia sinal de telefone celular, e havia cobras e montes de mosquitos em todos os lugares. Então, ficamos lá, assando costelas e bebendo cerveja, e ficamos fascinados com essa coisa – uma armadilha para insetos – chamada Bug Zapper na varanda da frente. Era de enlouquecer. Ao escurecer, mais insetos apareciam, e este Bug Zapper estava trabalhando em tempo integral. Por alguma razão, isso se tornou uma piada interna. Mais tarde, percebemos: “Ei, vamos fazer algo com essa tecnologia do tipo Bug Zapper!”

Espero que você não tenha tido nenhum acidente de trabalho com eletrocussão.

Não, mas aprendemos a controlar a tensão de um Taser.

Isso é incrível.

Piadas à parte, abordamos isso de maneira séria e científica. Nós estávamos discutindo sobre circuitos fuzz e eu pensei, e se pudéssemos controlar o som do Bug Zapper e microfonar isso? Evoluiu de maneira diferente, no entanto. Nós não usamos microfones.

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Acabou não sendo nada relacionado à tecnologia Bug Zapper, certo?

Não, mas as primeiras experiências definitivamente tinham. Nós também compramos – você conhece aqueles brinquedos de globo de plasma de vidro? – Acho que compramos tudo que havia em todo o país, 27 deles, para descobrir quais transformadores eles estavam usando e como tudo funciona. Começou de uma forma muito primitiva, mas na verdade nós redesenhamos tudo. É um sistema muito eficiente agora.

(Aponta a câmera para o pedal) Aqui está o Plasma Pedal da Gamechanger. É pelo menos 10 vezes mais complicado do que um lançamento padrão de qualquer empresa. Tem um transformador, que é uma coisa completamente estúpida de se colocar em um pedal de guitarra. Tem um tubo de descarga especial. Queremos fazer ideias mais ambiciosas e loucas. Meio que quebrar as regras e chegar a algo diferente.

Revivemos todo o processo recentemente, porque precisávamos criar nosso terceiro produto, o Gamechanger Motor Synthesizer. Vai sair em breve para a feira Superbooth (9 a 11 de maio) em Berlim. Vai ser muito legal.

Qual a inspiração do Motor Synth?

Um dia Mārtiņš, o engenheiro-chefe da Gamechanger, apareceu no trabalho assim: “Eu tive um sonho maluco com furadeiras”. Lembramos que há uma música do Nick Cave – “Stagger Lee” de Murder Ballads – onde, em vez de um solo de guitarra há só um solo de furadeira. Então pensamos que tudo bem, vamos fazer algo assim. O Motor Synth será lançado em um pequeno formato de mesa. Vai custar menos de US$ 800, terá oito motores e você poderá conectar seu próprio controlador de MIDI.

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Você diria que há certos critérios para novos produtos da Gamechanger?

Primeiro de tudo, tem que ser algo inovador – como nunca foi feito antes. Tem que ser um desafio do ponto de vista da engenharia e estimulante do ponto de vista psicológico. E tem que ter valor prático.

Com o Plasma, não há maneira realista de dizer que é um som melhor do que um outro fuzz. Eu tenho um antigo Fender Blender, e parece loucura – eu o amo. O Plasma parece louco – mas também estimula sua imaginação. Você fica animado. “Que porra é essa? Essas pequenas faíscas reais estão voando, e esse é o sinal da guitarra!” Isso faz você se apaixonar pelo som e dá uma vibe especial ao tocá-lo. É fascinante pensar que você está tocando a corda e que 5.000 volts (na versão rack do Plasma) estão pulando entre os eletrodos. Eu gosto do som e gosto do aspecto psicológico que te inspira a pensar sobre o que está acontecendo.

Então o aspecto psicológico é uma grande parte da equação.

É muito importante. É fascinante pensar que estou pressionando teclas e esses estranhos motores eletromagnéticos estão criando estática magnética que está sendo transformada em alguma coisa.

Conte-nos como você foi das furadeiras até os motores.

Nós gostamos da ideia de usar motores como fonte de som, e percebemos que pensávamos nisso como uma coisa de guitarra porque somos guitarristas. Mas se você pensar bem, o potencial é muito maior e melhor se for um teclado. Não temos problema com isso, porque não queremos fazer apenas pedais de guitarra na Gamechanger.

No Winter NAMM você trouxe um protótipo grande do Motor Synth, mas você também trouxe um protótipo de pedal. Você ainda está planejando lançar isso?

O Motor Synth será o lançamento principal por enquanto e, mais tarde, veremos se há mercado para um pedal de guitarra. Tenho certeza que sim, porque recebemos muitos pedidos para isso.

Parece que você aprendeu muito desde que nos falamos naquela NAMM.

Nós procuramos o pessoal da Moog e basicamente os bombardeamos com perguntas. Eles foram super legais e prestativos – e super entusiasmados. Eles amaram os motores e como soam. Eles nos deram conselhos sobre como fazer tudo, e o que deveríamos mudar e pensar. Nós tivemos essa grande master class de seus engenheiros.

Também tivemos uma grande discussão com um lendário engenheiro, Tatsuya Takahashi, que criou as linhas Monologue, Minilogue, Prologue, Volca Keys e Monotron da Korg. Ele está nos orientando. É muito legal. Além disso, aqui na Letônia temos outro guru. Um dos maiores fabricantes de sintetizadores modulares atualmente é uma empresa letã chamada EricaSynths, e eles são literalmente nossos vizinhos. Eles têm mais de 150 módulos, e têm sido um excelente exemplo de como construir um negócio na Letônia.

Quais são os prós e contras de se basear na Letônia?

No nosso caso, há poucas desvantagens. É o lugar perfeito para começar algo, mas só porque somos daqui. Sua cidade natal é sempre o melhor lugar para começar algo. Você conhece pessoas lá. Você foi para a escola e conhece um cara que conhece um cara. Você sabe como tudo funciona e como conseguir as coisas. Eu estou feliz que isso esteja acontecendo aqui em nossa cidade natal, e não em outro lugar só porque seria “mais legal”. Agora a Gamechanger é uma empresa legítima. Somos bons para a cena local e estamos empregando pessoas. Isso é ótimo.

Todos os produtos Gamechanger são produzidos em Riga?

Tudo está sendo feito em uma fábrica na Letônia. Nós não gostamos de solda – não acreditamos em eletrônicos artesanais, feitos a mão. Não faz nenhum sentido. Há algum tipo de imagem romântica do cara do pedal artesanal, com seu ferro de solda e sua namorada o ajudando. Eu acho que comida e cerveja devem ser feitas à mão, com amor. Eletrônica deve ser feita com precisão, por robôs alemães. Toda a soldagem da Gamechanger é feita por um robô do tipo pick-and-place em uma fábrica de eletrônicos, onde eles fazem de tudo, de gadgets a roteadores e aparelhos de Internet.

Outra coisa legal sobre a Letônia é que temos um sistema educacional muito forte e tradicional que enfatiza muito a física, a eletrônica e a matemática, esse tipo de coisa. Nos tempos soviéticos, este lugar era o fabricante central de dispositivos eletrônicos para todo o mundo soviético. Temos muitos professores da velha escola que realmente levam isso a sério. O nível de educação nessas ciências exatas é realmente alto aqui. Construir um booster… Qual é… Você está falando sério?


© Artigo originalmente publicado em Premier Guitar, traduzido e publicado por Musicosmos sob licença de Premier Guitar. Todos os direitos reservados. All rights reserved. Visit www.premierguitar.com

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