Vinil e companhia – o duelo Analógico x Digital

Existe um produto queridinho de músicos da velha guarda e praticamente ignorado pelas gerações mais novas: o vinil. Essa divisão entre amor e pouco afeto se deve muito mais a fatores de nostalgia do que exatamente por prezo de qualidade, mas há pontos interessantes dos dois lados do debate do áudio. Existe um “confronto” entre os defensores dos novos formatos do áudio digital e simpatizantes do antigo áudio analógico.

Os princípios de gravação sempre se basearam em conhecimentos da física e da engenharia bem antigos. No entanto, mesmo com tal fato, as gravações magnéticas só começaram a acontecer em 1930. Do eletromagnetismo surge o conceito de orientar pequenos elementos através da aplicação de campo magnético. Parte da nova orientação é mantida após a aplicação do campo, porém não é um processo linear, isto é, não é um valor interessante em termos de proporção ao campo magnético original. Daí surge o conceito de histerese e explica por que as gravações antigas necessitavam de muito tratamento antes de chegarem aos nossos ouvidos. A esse conceito damos o nome de histerese.

curvas-de-histerese

Esse fenômeno magnético fazia haver distorções no sinal reproduzido. Daí surgiu a solução do bias, que adiciona uma frequência alta de modo a obter um processo mais linear.

bias

As primeiras gravações analógicas aconteciam em gravadores de fita magnética com três cabeças. As fitas cassete de áudio tinham capacidade limitadíssima. Os ruídos desagradáveis eram comuns. A maioria das técnicas de redução de ruído se baseava em comprimir o sinal de áudio antes da gravação e depois expandir o mesmo. Esse ruído característico, no entanto, é a paixão de alguns músicos, que sentem certa nostalgia dos tempos antigos.

A Inglaterra é um exemplo que ainda tem um público bem amplo do vinil. O Brasil ainda tem a única fábrica de vinil da América Latina: É a Polysom, localizada em Belford Roxo, Estado do Rio de Janeiro.

O disco de vinil

vitrola

A vitrola, elemento raro que ainda pode ser visto na casa de alguns colecionadores, possui uma agulha cujo movimento é convertido em corrente elétrica.

O disco de vinil apresenta declives de onde a agulha da vitrola consegue obter o sinal stereo. As variações em cada um dos declives são detectadas e associadas a duas bobinas, uma para o sinal esquerdo e outra para o sinal direito.

sulcos-disco-de-vinil

A bobina é um importante componente no mundo da eletrônica de áudio. Ela está presente em microfones dinâmicos (seu movimento cria uma pequena corrente elétrica quando alguém canta, isso altera o campo magnético fixo, a pressão sonora movimenta essa bobina, o que gera como entrada um sinal mecânico e uma saída como sinal elétrico), guitarras (os captadores consistem em bobinas apontadas para as cordas. A diferença para o microfone é que essa bobina não é móvel, mas sim a corda que irá alterar o campo magnético se movimentando como reação às “palhetadas” do instrumentista).

bobinas-eletromagneticas
Bobinas

A comercialização tinha dois tipos de discos: LPs, com uma velocidade específica de rotação e diâmetro, e os singles, estes com uma música de cada lado, uma velocidade diferente de rotação e um diâmetro geralmente menor. Daí surge a ideia da B-side (Lado B). Os artistas precisavam preencher os dois lados do vinil. Esse lado B muitas vezes mostrava uma outra personalidade do artista, um lado autêntico. Hoje, com o formato digital, músicos ainda sentem um certo prazer em lançar um single com b-side. Na maioria dos casos os singles estão gravados no CD a ser comercializado, enquanto as outras canções tendem a ser divulgadas na Internet.

Abaixo segue vídeo sobre a Polysom, a única fábrica de vinil da América Latina.

foto-autor-eduardo-nepomuceno
Eduardo Nepomuceno

Eduardo Nepomuceno, carioca, é músico, produtor musical e escritor. Como músico, começou a aprender guitarra aos 13 anos. Estudou o instrumento na Escola de música Villa Lobos. Além de guitarrista, também aprendeu a tocar teclado e gaita, além de ter aprendido um pouco de baixo e violino. Também interessou-se por canto no fim da adolescência. Já estudara um pouco de técnica vocal na Villa Lobos, quando começou a apreciar coral. Depois estudou canto popular na Escola Elite Musical e depois seguiu sendo treinado pelo cantor Pedro Calheiros, filho de Rinaldo Calheiros, conhecido como "a voz que emociona". Nos treinos também dedicou-se ao canto lírico influenciado pelo gosto do professor por óperas italianas. Estudou produção musical na Escola de áudio Home Studio, do professor e músico Sérgio Izeckson. Passou a utilizar os conhecimentos adquiridos no curso para fazer gravações caseiras  e trabalhar com produções de baixo custo para músicos independentes. Já gravou músicos do estilo gospel, vocais usados para dublagens, além de ter trabalhado com canto popular e ensino de teoria musical. Além disso, também licenciou músicas na pequena carreira. Atualmente está se dedicando à gravação do seu projeto solo "O valor do primeiro ensaio", que terá músicas sonoras feitas essencialmente ao piano e com auxílio de guitarras, violão, baixo, orquestras programadas e cordas, mas sem elementos rítmicos como bateria. Também está escrevendo seus dois primeiros livros: "Artes de amor e guerra" e "Ópera das dores do mundo". Na área da escrita, já escreveu redações e colunas para um ramo do PN Record, antigo projeto da emissora. Atualmente publica seus textos no próprio blog. Entre seus assuntos abordados estão políticas de financiamento cultural, análises críticas artísticas e didática de áudio.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor escreva seu comentário!
Por favor insira seu nome aqui