Escala Dominante Diminuta: como usá-la no Blues

A ideia por trás desse ciclo de lições é aprender a inserir sons de natureza mais jazzística no fraseado pentatônico do blues. Por esse motivo, em todo a lição, proporemos uma frase que soará sempre sobre a mesma base; um groove meio entre o Funk e o RnB, que contém um acorde dominante, um E7. Hoje, junto com Simona Malandrino, aprendemos a usar a Escala Dominante Diminuta Semitom-Tom.

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O acorde E7 é formado pelas notas E, G#, B, D e é construído no 5° grau da tonalidade de A Maior (A, B, C#, D, E, F#, G#), sua escala de referência é E Mixolídio (E, F#, G#, A, B, C#, D).

Como já foi dito, sobre a base gravada não tocaremos frases diretamente com o Mixolídio – que seria a escolha mais apropriada em nível teórico -, em vez disso usaremos a Pentatônica, uma escala cujo som é mais familiar e essencial para este tipo de abordagem musical e estilística. Usaremos as Pentatônicas Maior e Menor, ambas enriquecidas pelas Blue Notes.

A Pentatônica Maior de E é formada pelas notas E, F#, G#, B, C#, que são Tônica, 2, 3, 5 e 6 da tonalidade de Mi. Como pode ser visto, todas estão presentes no modo Mixolídio. A blue note da Pentatônica Maior é a b3, neste caso G. Portanto, a Pentatônica Blues Maior é formada pelas notas E, F#, G, G#, B, C#.

A Pentatônica Menor, por outro lado, é formada pelas notas E, G, A, B, D, que são Tônica, b3, 4, 5 e b7 do tom de Mi. Como vemos, há uma nota estranha tanto ao acorde E7 quanto à escala Mixolídia que é – novamente – o b3. Embora não pertença ao acorde, pelo contrário, está em contradição com sua característica Maior, esta nota confere uma reconhecida coloração de blues ao fraseado.

A Pentatônica menor tem sua própria blue note, a b5, que aqui é Bb. Somando as duas Pentatônicas com suas blue notes, teremos esta sequência de notas:

E, F#, G, G#, A, Bb, B, C#, D

Nesta lição, juntaremos a esta sonoridade os sons oferecidos pelo uso da escala Semitom-Tom, a escala Dominante Diminuta (Dom-Dim) em Mi.

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Vamos analisar as notas dessa escala que seguem simetricamente em intervalos de semitom e tom.

EF GG# A#B C#D E

Primeiro, vejamos como essa escala contém e, ao mesmo tempo, gera perfeitamente o acorde dominante sobre o qual estamos tocando. Destacamos as notas E, G#, B e D em negrito.

Analisaremos as quatro notas restantes começando com a mais alta: C# é a sexta maior do acorde e é uma nota presente tanto no modo Mixolídio quanto na Pentatônica Maior já vista anteriormente.

O A#, o consideramos enarmonicamente Bb e encontramos novamente a blue note, b5, que já tínhamos visto no uso da escala Pentatônica Blues Menor.

Restam o F e o G que, por razões práticas, chamaremos de F##, mesmo que – à primeira vista – possa parecer meio perturbador. Para entender por que essa é uma opção de nomenclatura, vamos pensar no fato de que F# é a segunda maior de E e a segunda nota de E Mixolídio. F e F## representam, portanto, as duas possíveis alterações que um acorde dominante pode apresentar em seu segundo grau e o uso dessa escala se integra como dissonância ao som do acorde, trazendo dois sons vivos e pungentes, perfeitos para apimentar o fraseado em diferentes contextos estilísticos. (Obviamente o G também pode ser lido como b3, blue note que já vimos).

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Assim, a escala Dominante Diminuta de Semitom-Tom funciona de maneira excelente nos acordes dominantes que ficam coloridos com o som do segundo grau alterado. Ou você pode usá-la de modo ainda mais pertinente nos acordes 7add13 ou nos acordes dominantes alterados na nona: o 7(#9) ou 7(b9).

Vejamos uma possível digitação da escala Dominante Diminuta Semitom-Tom em E que atravessa a região do braço da guitarra que interessa no caso do Lick proposto.

Escala Dominante Diminuta (ou escala Dom-Dim) na região do lick proposto

Então, aqui estão alguns acordes para experimentar o som dessa escala.

acordes-da-escala-dominante-diminuta-E7-E7addb9-E7add#9-E7add13

Ao estudar o lick, duas são as recomendações mais importantes: é crucial cuidar do ritmo com o qual o lick foi escrito e executado. O desenho rítmico ajuda a aprimorar o peso e a cor das notas alteradas.

Além disso, ao estudar o lick, pare em cada nota para analisá-la em relação ao E7 sobre o qual você está tocando para definir qual intervalo e função ela incorpora.

A frase acima foi escrita e executada por Simona Malandrino.

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