Baixo Music Man StingRay 4 Special Bass

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Pode parecer que uma marca bem estabelecida como Musicman não precise renovar seus produtos para permanecer no topo da indústria de fabricação de baixos e guitarras. No entanto, desde que a empresa Ernie Ball criou essa marca em 1984, a verdade é que eles vêm expandindo o número de modelos e opções, criando alguns modelos inovadores, como Bongo ou Big Al, incorporando sistemas elétricos piezo como opção (fazendo com que soem bem, algo que nem sempre acontece) e criando um dos baixos de 5 cordas mais usados no mundo do rock e pop, como é o Music Man Stingray 5.

Nos últimos anos, acompanhamos a chegada de novos modelos com mais captadores, acabamentos especiais, séries limitadas e, especialmente, o modelo Classic baseado no Stingray dos anos 70, mas com melhorias em alguns aspectos do original, como a operação do tensor e a vida útil da bateria.

O instrumento que analisamos hoje é um baixo Music Man Stingray 4 Special, então vamos ver o que torna esse instrumento “especial”.

De cara, devemos dizer que esta não é apenas uma série ou uma edição limitada, este Special vem na prática para substituir o Stingray de toda a vida que agora está disponível apenas nas versões Classic de 4 e 5 cordas, além do modelo Old Smoothie (40º aniversário) e um mais recente de escala curta. Ou seja, o Stingray como sempre conhecemos desapareceu, dando lugar ao Stingray Special.

Embora não se trate de mudanças radicais (na verdade, à primeira vista, parece o bom e velho Stingray de sempre), a verdade é que este instrumento incorpora uma boa quantidade de melhorias que, sem modificar seu design e som clássicos, o tornam muito mais confortável de tocar e com uma experiência geral de uso muito melhorada.

Desde a primeira olhada, vemos que todos os contornos do corpo agora têm um recorte mais arredondado e, portanto, mais ergonômico. Há também a placa de junção do braço ao corpo com 5 parafusos, que recebeu um novo formato que permite melhor acesso aos últimos trastes.

Também é um contrabaixo mais leve, graças à seleção de madeiras e ferragens, resolvendo assim uma das reclamações que freqüentemente são feitas contra este instrumento. O exemplar que temos em mãos, em particular, pesa apenas 3,6 kg – algo nada habitual em um Musicman.

Como você sabe, os baixos leves tem a vantagem de permitir horas e horas de diversão sem que o ombro seja sobrecarregado, ao mesmo tempo em que, pelo menos para muitos luthiers, a ressonância é aprimorada. O problema é que o baixo leve geralmente sofre com o temido desequilíbrio, pois a redução do peso do corpo altera o centro de gravidade e isso nos faz ter que sustentar o braço o tempo todo para tocar, algo que realmente não é nada confortável.

Bem, os senhores de Ernie Ball pensaram em tudo e deram a este modelo um novo tipo de tarraxas mais leves e mais precisas. O design clássico e icônico do pequeno headstock no formato 3 + 1 foi mantido, o que também ajuda a manter o contrabaixo leve e equilibrado.

Mas isso não é tudo, ainda existem outros fatores interessantes que fazem o novo baixo Music Man Stingray Special honrar seu nome: o braço é feito de maple do tipo “roasted”, um processo pelo qual a madeira é submetida a um tipo de torra a altas temperaturas que a faz ganhar resistência e torna menos provável que se deforme com o tempo.

Além disso, esse tratamento também cria uma microestrutura semelhante à da madeira que secou naturalmente e, portanto, perdeu muito de sua umidade. Como se isso não bastasse, o processo faz a madeira ter um visual simplesmente fabuloso, como você pode ver nas fotos.

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Passemos agora para a eletrônica, onde, como não poderia deixar de ser, também encontramos uma série de melhorias. O captador humbucker foi completamente redesenhado e, além de estar mais equilibrado do que nunca, também soa mais poderoso graças aos ímãs de neodímio que produzem um nível de saída mais alto e uma resposta de frequência mais ampla. O pré ainda é o EQ clássico de 3 bandas, mas agora é alimentado em 18 Volts, oferecendo um headroom superior que pode ser muito benéfico quando você faz uso extremo do EQ.

Como seria de se esperar, muitos dos recursos que tornam o Stingray um dos poucos baixos que podem ser considerados clássicos são mantidos neste modelo: o corpo de duas peças, nut compensado (melhora a entonação nas primeiras casas) , a ponte sólida e funcional, uma afinação perfeita, o tensor facilmente acessível sem ferramentas especiais, a eletrônica blindada sem ruído e o acabamento de braço encerado.

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Todas as posições da chave de seleção, no modelo de 2 captadores

Agora que as especificações e os recursos deste baixo Music Man Stingray Special já foram detalhados, passamos à parte mais divertida que é tocar. Usamos para isso um combo 115B-250 da mesma marca (desenvolvido por Markbass) com um alto-falante de 15” que produz um belo som vintage. Para contrastar, também usamos um moderno equipamento Aguilar composto pelo cabeçote AG700 e pela caixa SL410.

A sensação ao tocar o instrumento é fantástica. As dimensões do braço são tremendamente clássicas. Não surpreendentemente, o Stingray nasceu das mãos de Leo Fender com base no Precision. A sensação é de total familiaridade, como se tocássemos este instrumento há muitos anos. O acabamento encerado do braço roasted é tremendamente orgânico e agradável, evitando também que o polegar fique prendendo se você é do tipo que sua muito.

A leveza do corpo e o equilíbrio do braço fazem com que, desde o primeiro segundo, você perceba que é um instrumento tremendamente bem feito e que pode perfeitamente se tornar seu parceiro de batalha por muitos anos.

Poderíamos descrever o timbre como sendo 100% Stingray, mas com uma pitada extra de pegada que o faz soar mais cheio e um pouco menos oco do que se poderia esperar. Comparamos esse baixo com seus dois irmãos mais próximos: um Stingray normal com 3 bandas de equalização (já fora de catálogo) e o “Old Smoothie”, modelo do 40º aniversário e, em ambos os casos, notamos que o Special nos dá um som com mais corpo, maior nível de saída e, especialmente, uma faixa muito mais ampla nos controles de EQ.

O ponto de partida com todos os controles do EQ no centro é mais equilibrado do que em outros Stingray de 3 bandas, mas também temos um alcance mais do que generoso para realçar (ou cortar) qualquer uma das três frequências e obter o som que queremos.

Essa faixa estendida de alcance no EQ é favorecida pela fonte de alimentação de 18 Volts, impedindo que o sinal sature devido à falta de tensão ao ser solicitado que libere todos os graves que possui.

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Ao tocar pizzicato, percebemos um equilíbrio perfeito entre uma fundamental forte, uma excelente definição de nota e o toque certo de agudos característicos da marca.

Se passarmos ao slap, descobrimos que nada precisa ser modificado, pois o som ainda é perfeito. Isso não é algo que se possa dizer de muitos contrabaixos, realmente… A partir daí, o EQ será algo que você utilizará dependendo do seu equipamento de amplificação, da acústica da sala ou de suas próprias preferências.

Adoramos a profundidade que o baixo adquire quando aumentamos os graves e, de fato, mesmo com esse controle máximo, obtemos um som que nunca embola.

Os médios estão centrados em uma frequência em torno de 300Hz, o que também nos ajuda a arredondar ainda mais o som. Não é provável que você precise aumentar os agudos nesse baixo, mas se fizer isso perceberá que é um agudo mais fino e menos agressivo do que em outros Stingray.

O melhor de tudo é que esse baixo soa perfeito nos dois amplificadores que escolhemos para este teste. Logicamente, com o Musicman combo e seu único alto-falante de 15”, estamos na onda vintage total, enquanto com o equipamento Aguilar, são adicionados agudos que não soam exagerados.

Dependendo da música que você toca e de suas preferências, você pode optar por uma onda de amplificação ou outra, mas em qualquer opção este Musicman Stingray Special se sai muito bem.

Em resumo: adoramos quando uma marca faz as coisas bem feitas e, neste caso, temos que parabenizar a Ernie Ball por melhorar um instrumento tão clássico e fornecer a ele todas essas melhorias sem perder nada da essência do original. Em nossa opinião, este é o melhor baixo Music Man Stingray já feito. Experimente e comprove por si mesmo.

Joaquín Garcia

EspecificaçõesSting Ray 4 Special Bass
Dimensões 34,3 cm x 4,1 cm x 114.0 cm
Madeira do corpoHardwood selecionado
Acabamento do corpoHigh gloss polyester
PonteVintage Music Man®
Comprimento da escala34″ (86,4 cm)
Raio da escala11″ (27.9 cm)
Tamanho do Headstock8-3/4″ (22.2 cm)
Trastes22 de perfil alto e largo, aço inox
Largura do braço42,86 mm (nut) a 63,5 mm (último traste)
Madeira do braçoRoasted maple selecionado
EscalaMaple, rosewood ou ébano
Acabamento do braçoEnvernizado e encerado a mão
TarraxasCustom Music Man leves
TensorAjustável sem remover nenhuma peça
ControlesPré-amp ativo de 3 bandas e 18v. Botões de vol, treble, mid, bass
CaptadoresUm ou dois Humbucking com ímãs de neomídio
Versão para canhotosNão
Cordas45w – 65w – 80w – 100w (Super Slinky Bass #2834)
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Magazine Bajos & Bajistas

Artigo original de Magazine Bajos & Bajistas. Traduzido por Musicosmos e publicado sob licença de ®Magazine Bajos & Bajistas. Todos os direitos reservados.

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