Baquetas, por que tantas?

O baterista e professor Cássio Cunha escreve a respeito das particularidades de cada tipo de baquetas, um acessório fundamental que todo baterista deve conhecer em profundidade.

Hoje em dia existem tantos modelos de baquetas que daria pra fazer um “pequeno” dicionário explicando as características de cada uma, com detalhes técnicos específicos e com um alto grau de complexidade. Modelos com ponta de feltro, de nylon, formatos de ponta dos mais diversos, madeiras das mais distintas espécies, distribuição de peso que proporcionam mais ou menos torque, mais ou menos rebote, pontas múltiplas feitas com palitos de bambu, corpo de metal, fibra de carbono etc… Que por um lado aumentam imensamente a paleta de sonoridades, o que é muito bom para a diversidade de estilos musicais contemporâneos, e para que o próprio músico tenha possibilidade de escolhas que atendam suas particularidades, tanto técnicas, como sonoras. Mas na verdade, apesar dessa imensa variedade, pergunto eu, “qual a função básica das baquetas?”

Antes de mais nada, devemos lembrar que até os anos 50, início dos anos 60, existiam pouquíssimas opções de baqueta, que foram aumentando no decorrer dos anos, até para acompanhar a evolução dos estilos, e as exigências e particularidades específicas dos músicos. Mas, em resumo, existem três tipos de baquetas: leves, intermediárias e pesadas, que subdividem-se em modelos geralmente com pequenas modificações relacionadas às suas aplicações específicas ou ao gosto dos usuários.

A baqueta nada mais é que uma ferramenta como qualquer outra, e tem como função primordial percurtir um instrumento de percussão, seja ele uma caixa, um tom tom, um tímpano, um vibrafone, etc.

Mas voltando aos três modelos básicos, existe uma função muito básica e essencial que é – como qualquer boa ferramenta – facilitar a vida de quem a usa. E muitas vezes não pensamos muito nessa questão, que está relacionada entre outras coisas com otimizar a energia de quem as usa, e naturalmente facilitar a execução, tecnicamente falando.

Os três tipos básicos de baquetas

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Baquetas 7A da marca Liverpool, feitas em Pau Marfim

Voltando então aos 3 modelos básicos, comecemos com as baquetas leves, que tem como sigla genérica 7A, servem para tocar estilos com relativamente pouco volume, ou em ambientes em que o volume, ou musicalmente falando, dinâmica, deve ser baixa. Um pequeno clube de Jazz por exemplo, onde muitas vezes o piano e o contrabaixo acústico não estão amplificados. Pois com uma baqueta leve fica muito mais confortável tecnicamente controlar esse nível de dinâmica.

Seguindo esse raciocínio partimos para as baquetas de peso intermediário, geralmente conhecidas com as siglas 5A e 5B. Baquetas essas que são as mais “versáteis” e comumente usadas por músicos que vão do Jazz hard bop ao Pop Rock, passando pelo fusion, música sinfônica, brasileira, Latin Jazz e até o Rock não tão pesado. Pois são baquetas de controle de dinâmica bem variado, podendo ser usadas  em ambientes e estilos que permitam uma extensão de dinâmica bem ampla, além de terem uma sonoridade muito versátil, e um controle confortável.

E por fim, temos os modelos pesados, que podem ser classificadas genericamente com a sigla 2B. Que são obviamente baquetas para estilos ou situações onde o volume é fundamental, mas ao mesmo tempo também são muito usadas em drum corps (bandas marciais) por serem excelentes para execução de rudimentos em superfícies de alta tensão, como as caixas rudimentares. Baquetas essas que tem como objetivo facilitar a obtenção do volume sem que o músico precise fazer muita força, resultado de sua alta energia concentrada, graças ao seu peso, densidade e espessura, qualidades essas que se usadas da forma correta, tecnicamente falando, podem entre outras coisas, podem transformar peso e movimento em energia potencial gravitacional, muito útil para os heavy hitters (os bateras que tocam pesado).

Enfim, por mais que existam modelos distintos de baquetas, basicamente elas têm a função de facilitar nossa vida, dependendo do estilo e extensão de dinâmica que você esteja inserido. Lembrando que a escolha deve basicamente estar relacionado não apenas a conforto e sonoridade (fundamentais é claro), mas não menos importante, a economia de energia. Com a ferramenta certa tudo fica mais fácil.


Cassio-Cunha
Cássio Cunha

Nascido em Recife-PE, Cássio Cunha começou tocando caixa na banda marcial do Colégio Salesiano de Recife. Em 1986 iniciou seus estudos no Conservatório Pernambucano de Música, aonde ficou até 1991. lá estudou com os professores José Gomes ,Severino Revorêdo, Geraldo Leite, Maestro Duda, Maurício Chiappeta e JedielFilho. Ainda durante seus estudos, começou sua carreira profissional tocando em grupos de música instrumental e acompanhando diversos artistas da região. Em1992 mudou-se para o Rio de Janeiro onde lecionou na escola de música In Concert por mais de dez anos. No Rio começou também suas pesquisas sobre música brasileira, lançando os livros IPC (Independência Polirrítmica Coordenada) eARB (Acentos Rítmicos Brasileiros) – Editora Multifoco.

Atualmente acompanha o cantor e compositor Alceu Valença e O Grande Encontro formado por Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

É também colunista da revista Modern Drummer Brasil e sócio proprietário do estúdio-escola Oficina de Bateria Brasileira em Copacabana.

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