Violão Yamaha LL TA TransAcoustic

A Yamaha realmente sabe fazer violões. Com décadas de experiência, seus instrumentos estão sempre entre as melhores opções em cada respectiva faixa de preço, cabendo ao músico fazer sua escolha – e há violões Yamaha para todos os bolsos (assim como há muitos fabricantes fazendo um bom trabalho). Mesmo que o dólar não favoreça os instrumentos importados nos dias de hoje, o mesmo vale para a maioria das marcas. Então, no mínimo sabemos que o violão Yamaha LL TA é herdeiro de uma tradição sólida na construção de instrumentos musicais acessíveis. É preciso partir desta premissa antes de conhecermos a série Transacoustic de violões.

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Baseado em uma série bem sucedida de violões eletroacústicos, o LL-TA (sendo o “TA” a identificação da série TransAcoustic) incorpora uma tecnologia que fornece efeitos de reverb e chorus acústicos. Simplificando: o violão produz estes efeitos sem estar conectado a nenhum amplificador nem caixa de som – o som sai do corpo do violão já com estes efeitos. Efeitos acústicos!

Explicaremos a mágica mais adiante, mas a sensação é de estar tocando em uma catedral ou em um grande estúdio, mesmo que você esteja apenas dedilhando as cordas em seu quarto. Você pode não achar útil, mas não pode descartar este violão antes de experimentar a sensação.

Construção do violão LL-TA

Antes de ser um produto cheio de tecnologias embarcadas, o Yamaha LL TA é um violão acústico com captação embutida. Sua construção condiz com o preço e a boa reputação da Yamaha. Antes de mais nada, sem considerar os efeitos embutidos, este é um bom violão Yamaha.

Todas as grandes marcas tem trabalhado no desenvolvimento de captação e pré-amplificação cada vez melhores e de sonoridade mais natural. A Yamaha está neste grupo e seus violões eletroacústicos, em qualquer gama de preço, tem um bom sistema de captadores – chamado System70 aqui neste modelo revisado, que incorpora a tecnologia que faz deste violão algo tão especial.

O TransAcoustic LL TA é um dreadnought (a empresa chama o formato de Original Jumbo, você pode chamar de Folk, se quiser) com fundo e laterais feitos em rosewood maciço (eles não especificam a origem das madeiras) e tampo igualmente sólido de abeto Engelmann.

Esta madeira recebe um tratamento que a Yamaha chama de A.R.E. (Acoustic Resonance Enhancement, ou Aprimoramento de Ressonância Acústica) que tem como objetivo fazer com que uma madeira jovem se comporte como se tivesse muito mais idade, com as qualidades acústicas de madeiras já curtidas pelo tempo.

A Yamaha desenvolveu este processo com o intuito de fabricar violinos tão bons quanto aqueles violinos antigos supervalorizados. Em pouco tempo o tratamento migrou também para os violões de suas melhores linhas, como este LL TA de hoje. 

O tratamento A.R.E. é feito sem produtos químicos, apenas controlando variações de pressão, temperatura e umidade de modo a conferir à madeira as características desejadas.

Se o processo faz exatamente o que promete, difícil dizer, mas a qualidade sonora dos violões que recebem este tratamento faz crer que ele é efetivo de alguma forma.

O vídeo a seguir demonstra o resultado:

O corpo do violão LL-TA tem dimensões generosas, mas ainda dentro do padrão. São 51,3cm de comprimento, 41,5cm de largura e uma profundidade que vai de 10cm a 12,5cm. O comprimento total do violão é de 104,6cm. Filetes bem executados e uma bonita roseta completam o visual sóbrio, finalizado com um verniz brilhante. O escudo é transparente, uma escolha acertada que valoriza o visual do tampo.

Há o mínimo de furos nas madeiras do corpo para os controles e conexões, e isso favorece a sonoridade acústica. Veremos os controles mais adiante, mas são apenas 3 botões discretamente instalados. Até mesmo o acesso à bateria é feito pelo mesmo furo do jack de saída, minimizando as interferências na caixa acústica tanto quanto possível.

O braço acomoda 20 trastes devidamente polidos e com os cantos arredondados. Passe a mão pela escala para sentir – ou melhor: não sentir – a extremidade dos trastes.

A escala de ébano repousa sobre uma peça que alterna mogno e lâminas de rosewood. É uma escala quase plana com raio de 40cm (15 3/4″), que permite ação baixa e confortável até mesmo para os guitarristas que se aventuram eventualmente no violão – embora não seja uma escala de guitarra, é bom deixar claro.

A pestana é feita de um material sintético chamado “urea”, e tem largura de 44mm. Para efeito de comparação, violões clássicos tem pestana de 50mm ou mais, enquanto violões dreadnought costumam ficar em torno de 43mm.

Na outra ponta, as cordas são fixadas à ponte – com rastilho feito de urea – por meio dos tradicionais pinos. O espaçamento das cordas, se medido no centro de cada pino, é de 11mm – um espaçamento médio para os padrões adotados pela Yamaha. Perfeitamente confortável para quem toca com os dedos.

O discreto headstock da Yamaha completa o quadro geral de maneira elegante, e tem um friso lateral que percorre também toda a escala de ébano.

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Como soa?

Acusticamente, o violão Yamaha LL TA é bastante adequado para quem toca com palheta, mas principalmente para quem toca fingerstyle, pois o espaçamento das cordas, o comprimento da escala e o braço veloz favorecem esta abordagem.

O violão é bom de “abraçar”, não é grande demais para a maioria das pessoas e se apoia bem. O acabamento é agradável ao toque, embora muitas pessoas prefiram sentir mais a textura da madeira.

Como quase todo violão Yamaha, este LL-TA passa a sensação de um instrumento de categoria superior – pelo preço cobrado, que não é baixo, não perdoaríamos algo diferente.

A entonação é ótima por toda a escala, com timbres consistentes em qualquer casa. A projeção sonora é boa, mas não espetacular, e a sonoridade geral nos parece um pouco mais aguda do que o ideal – pelo menos antes da adição de efeitos. É uma questão de gosto, claro, mas acreditamos que essa característica é outra que favorece ao fingerstyle.

Como último detalhe, a Yamaha colocou o jack de saída e o compartimento das pilhas na mesma peça, evitando furos diferentes na lateral do violão. Este compartimento fica junto ao pino da correia. A propósito, são duas simples pilhas AA que alimentam o sistema.

E os efeitos?

O papo está bom, mas o que interessa mesmo são os efeitos embutidos, certo?

Tudo começa com o que a Yamaha chama de System70.

A lateral do violão tem três discretos botões. Onde normalmente vemos uma enorme caixa de plástico com visor de LED e equalizador, vemos apenas os três controles. Eles são bastante discretos, mas bem que poderiam ser de um material mais nobre, pois parecem simples demais.

Segundo a Yamaha, o objetivo foi fazer o mínimo de furos no corpo do violão. Em vez de um enorme pré-amplificador, apenas três furinhos para passagem das hastes dos botões. Não apenas deixou o violão mais bonito como também evitou interferir no desempenho acústico.

Para ativar os efeitos, deve-se pressionar o botão de Volume Master por menos de 1 segundo e um LED se acende, indicando o acionamento dos efeitos.

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Os discretos botões do violão Yamaha LL TA

O botão do reverb é dividido em Reverb Room e Reverb Hall, são dois tipos de reverb, sendo que o meio do curso do botão separa os dois tipos. Ou seja, até a metade do giro do botão, regula-se o nível do Reverb Room, a partir daí o efeito muda para Reverb Hall e o nível vai novamente de zero a dez. É preciso um pouco de tempo para se acostumar, mas é fácil.

Já o botão de chorus é mais simples, apenas gire totalmente no sentido horário para ir de zero ao máximo de efeito.

O chorus é um efeito controverso, muito ligado aos anos 80 e considerado meio brega por muitos. Mas, se usado com cuidado, pode dar um colorido ao seu som. Não vemos muita utilidade para o chorus em nível máximo neste violão, mas é bom ter o efeito à mão.

Já o reverb, este sim justifica todo o alarde ao redor da série TransAcoustic. Especialmente o Reverb Hall, nosso favorito. Ele definitivamente enriquece o som, cria uma sensação espacial muito agradável.

Impossível não abrir um sorriso de satisfação ao dedilhar um acorde qualquer – pode ser um simples Mi Maior – e ouvir o som cheio e persistente saindo da boca do violão. Ainda é o som acústico, mas é mais do que isso. É uma sensação muito diferente de plugar o violão em um PA e acrescentar reverb ou qualquer outro efeito – é mais agradável e natural. Impossível não se divertir.

É bem provável que o proprietário novato do violão Yamaha LL TA exagere um pouco nos primeiros dias de uso com os efeitos embutidos, mas depois de algum tempo o bom senso vence e o violão se torna uma máquina de inspiração que irá aguçar sua vontade de tocar cada vez mais e mais.

E o equalizador?

O violão Yamaha LL TA não tem um equalizador típico, daqueles encontrados na maior parte dos violões elétricos. Na verdade, ele tem um recurso de equalização bem simples.

Ao pressionar o botão de volume por mais de cinco segundos, o mesmo botão que aciona os efeitos, ele entra no modo de ajuste do EQ. O botão pode ser girado para um lado ou para o outro e a saída será afetada por uma curva de equalização diferente ao longo do curso do botão. É o suficiente para evitar feedback em muitas situações, ou apenas ajustar o timbre – se estiver estridente ou abafado demais. Mas não é nada prático e nem permite um ajuste detalhado de equalização.

A Yamaha se esforçou para fazer deste um recurso utilizável, e foi bem sucedida em parte – mas músicos experientes sentirão falta de um equalizador dedicado nas situações de palco. Um EQ externo talvez seja bem vindo.

O violão Yamaha LL TA é bom para todo mundo?

Já deixamos claro que o LL-TA é um violão bem construído e que os efeitos internos são uma aquisição incrível. Mas qual sua real utilidade?

Precisamos dizer que um músico profissional que usa o violão principalmente no palco sentirá falta de um pré-amplificador com mais recursos, como afinador ou chave de fase. Pior ainda, este tipo de músico já deve ter bons periféricos de reverb, chorus e muito mais. Portanto achamos discutível a aquisição para este uso específico – embora o LL-TA se saia perfeitamente bem quando plugado.

Para uso em estúdio profissional, é provável que o produtor prefira um som seco para poder trabalhar na mixagem, ou que a própria sala do estúdio tenha um reverb natural interessante. Portanto também não é aqui que o LL-TA irá brilhar.

Vemos três condições ideais para uso do Yamaha LL TA.

A primeira é a do violonista (ou guitarrista) que também é compositor e toca principalmente em casa, seja compondo ou estudando. Isso é uma unanimidade: os efeitos embutidos empurram a criatividade do violonista a lugares que talvez não fosse explorados de outra forma. Principalmente para guitarristas que às vezes se sentem órfãos de seus efeitos ao tocar com violão.

Este tipo de músico pode se beneficiar das sonoridades fornecidas, mas também da vontade de tocar e compor mais do que o normal. E também poderá exibir para outras pessoas suas músicas ou arranjos de um modo bem especial.

Há também aqueles que se apresentam em pequenos lugares fechados, com boa acústica, e que nem usam amplificação nessas ocasiões. O uso de efeitos acústicos em uma situação como essa pode ser muito bem vindo, e há muito a ser explorado. É uma situação muito específica, mas o LL-TA brilha.

Já aqueles que gravam em home studio também podem se beneficiar dos sons naturais do LL TA, já que dificilmente haverá uma sala de ótima acústica ou mesmo um técnico de som para fazer a melhor captação possível. No ambiente do estúdio caseiro este Yamaha também se sai bem.

Além destes cenários onde o Yamaha LL-TA se destaca, não podemos deixar de dizer que o violonista amador que tem bala na agulha para se dar este presente, com o objetivo de tocar em casa mesmo, será muito bem servido.

Ou ainda aqueles profissionais que eventualmente tem de ir conceder entrevistas e dar uma palhinha, ou gravar vídeos para o YouTube. Para exemplificar, veja o vídeo do Heitor Castro, que já havíamos publicado aqui, empunhando o mesmo LL-TA.

Em todos os casos, reafirmamos que o violão Yamaha LL TA se adapta especialmente bem para que toca no estilo fingerstyle do Heitor ou do Leandro Kasan (que não usa um Yamaha), por exemplo. Mas não exclusivamente para eles.

Conclusão

O sistema TransAcoustic da Yamaha é claramente um divisor de águas no mercado de violões. (Conheça também a ToneWoodAmp, que fabrica um periférico que transforma qualquer violão em uma espécie de TransAcoustic, de um modo mais prático mas um pouco menos elegante.)

Para o violonista que nunca tocou em um TransAcoustic, difícil dizer se ele deve considerar a compra de um. Sendo algo tão incomum, embora ouras empresas estejam fazendo progressos semelhantes, é difícil julgar a real necessidade de um violão com efeitos acústicos.

Livrar-se da necessidade de carregar pedais é um ponto a favor, sem dúvidas, mas é apenas um dos aspectos a considerar na compra deste Yamaha.

Não há dúvida de que ele soa bem e é muito bem construído – uma delícia de tocar. Mas o circuito embarcado acrescenta uma boa quantia no preço – e a maioria de nós não tem dinheiro sobrando. No dia da publicação deste artigo a Yamaha divulgava um preço sugerido de R$6.800,00 para o LL-TA. Na mesma data, aqui na Loja Musicosmos, nosso preço era de R$5.304,58. Bem mais em conta, mas ainda salgado para a maioria dos mortais. Recomendamos que pesquise por aí antes de comprar.

De todo o modo, tente orçar um Martin, Taylor ou mesmo Takamine e verifique que o LL-TA não cobra tanto assim pelo que oferece.

Por sorte, há outros modelos de violões que receberam a tecnologia TransAcoustic da Yamaha, alguns um pouco mais em conta, como o Yamaha FS-TA (veja aqui).

Mas não há como fugir do óbvio: todos os violões da linha “TA” serão mais caros do que seus correspondentes sem a tecnologia TransAcoustic. E são mais pesados também, considere se isso é um problema para você.

Superada a questão do preço, quem levar o LL-TA para casa terá um violão muito especial, que faz o músico tocar mais e melhor, que atiça a criatividade do compositor, que encanta a audiência (surpresa por ouvir aquele som que não parece de um violão comum). Sendo assim, o que mais poderíamos querer de um violão?

Mal podemos esperar para ver o que o futuro nos reserva, pois ninguém duvida que os demais fabricantes irão contra-atacar mais cedo ou mais tarde, e nós só temos a ganhar. Enquanto isso, a Yamaha reina praticamente sozinha na fabricação de violões com efeitos embutidos.

Review do violão na Guitar Interactive, em inglês

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