Mente sã, corpo são, música boa

Esta é a estreia do colunista Cássio Cunha, um dos melhores bateristas do país.

É muito comum que nós bateristas, ou qualquer outro instrumentista profissional ou de alta performance, estejamos na maior parte do tempo preocupados em aprimorar as habilidades técnicas, controle, velocidade, dinâmica, repertório, enfim… o óbvio. Mas muitas vezes esquecemos da importância de trabalharmos nossa saúde, tanto física quanto mental, e a relação que existe entre bem estar, conforto, relaxamento e performance. Então entre outras coisas vou falar um pouco aqui de algumas questões que não têm a primeira vista muito a ver diretamente com sua habilidade para tocar o instrumento, mas que certamente fazem a diferença. São dicas simples mas que me ajudaram e continuam me ajudando a melhorar minha performance e me proporcionam mais conforto e prazer quando estou tocando.

Respiração

Respirar é simplesmente essencial para a vida, e respirar de forma naturalmente ritmada e consciente, ajuda a pensar melhor e manter-se relaxado, fazendo com que, entre outras coisas, você tome melhores decisões e execute os trechos mais complicados com mais naturalidade e precisão

Postura

Uma boa postura começa com um bom banco, este é sem dúvida uma das peças mais importantes do kit, ele deve ser confortável, fácil de regular, e proporcionar uma plataforma firme e segura para que todos os movimentos possam ser feitos com segurança e sem dificuldades. Além disso, sentar-se de maneira correta, com a coluna alinhada, a cabeça nivelada, ombros e pernas relaxados, vai inconscientemente te induzir a uma atitude mental positiva e mais determinada, além de ajudar a evitar uma série de futuros problemas físicos que podem causar dor ou incômodos, como tendinites, dores lombares, na nuca, ombros e região da cintura por exemplo, que em casos extremos podem vir até impossibilitar temporária ou permanentemente a capacidade para tocar o instrumento. E entre tantas vantagens, uma boa postura, deixa transparecer um visual mais elegante e comprometido com a performance e com a própria música.

Bateristas
Local de trabalho dos bateristas. Foto de Paulo Guereta – São Paulo (Expomusic 2014) CC BY 2.0

Preparação

Prepare seu corpo e sua cabeça para a apresentação que estar por vir, alternando o aquecimento com pequenas pausas para relaxamento e alongamento. Um pouco de meditação também é um bom exercício de concentração, basta alguns minutos respirando pausadamente e tentando tirar as muitas distrações da cabeça, relaxando a mente antes da apresentação, ao mesmo tempo que a mantém alerta.

Ambiente

Explore o ambiente onde você vai se apresentar, ande pelos corredores do teatro ou da casa de shows, vá ao palco, sente um pouco no instrumento, faça uma rápida inspeção no mesmo, verifique se está tudo bem posicionado, se não há peças meio soltas, microfones fora do lugar, cabos ou fios que possam te atrapalhar. Enfim, cheque sempre o seu equipamento antes de sair “voando”.

Alimentação

Evite comer alimentos pesados, ou beber líquidos em excesso, pois talvez não haja espaço no show pra dar aquela fugidinha para o WC.

Finalmente, bateristas…

E por fim, entre outras tantas questões além da técnica puramente falando, nunca supervalorize seus erros, principalmente se esses não chegarem a comprometer seriamente a apresentação. Geralmente a maioria dos erros que cometemos são irrelevantes e passam despercebidos pela audiência. E se você colocar na balança, geralmente o percentual de erros é irrisório em relação aos acertos. Basta depois, com tempo e calma, dar uma atençãozinha e corrigi-los.

No mais, divirta-se e lembre-se: A música sempre em primeiro lugar.

Cassio-Cunha
Cássio Cunha

Nascido em Recife-PE, Cássio Cunha começou tocando caixa na banda marcial do Colégio Salesiano de Recife. Em 1986 iniciou seus estudos no Conservatório Pernambucano de Música, aonde ficou até 1991. lá estudou com os professores José Gomes ,Severino Revorêdo, Geraldo Leite, Maestro Duda, Maurício Chiappeta e JedielFilho. Ainda durante seus estudos, começou sua carreira profissional tocando em grupos de música instrumental e acompanhando diversos artistas da região. Em1992 mudou-se para o Rio de Janeiro onde lecionou na escola de música In Concert por mais de dez anos. No Rio começou também suas pesquisas sobre música brasileira, lançando os livros IPC (Independência Polirrítmica Coordenada) eARB (Acentos Rítmicos Brasileiros) – Editora Multifoco.

Atualmente acompanha o cantor e compositor Alceu Valença e O Grande Encontro formado por Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

É também colunista da revista Modern Drummer Brasil e sócio proprietário do estúdio-escola Oficina de Bateria Brasileira em Copacabana.

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