Nico Assumpção – O virtuose de todos os contrabaixos

Nascido em 13 de agosto de 1954, o paulistano Antônio Álvaro Assumpção Neto – Nico Assumpção – começou a tocar contrabaixo aos 16 anos de idade por influência do pai, um contrabaixista amador que adorava o jazz. Estudou no Centro Livre de Aprendizagem Musical, o CLAM, tendo sido aluno de Amilton Godoy e Luis Chaves, respectivamente o pianista e o baixista do famoso Zimbo Trio. Mais tarde, lecionou nessa mesma escola de música, durante dois anos.

Em 1976 mudou-se para Nova York (EUA), com o objetivo de aprofundar seus estudos musicais. Nessa cidade, integrou o grupo de Don Salvador (piano) e Charlie Rouse (sax). Atuou com diversos músicos norte-americanos da área do jazz, como Fred Hersh, Larry Willis, John Hicks, Steve Slagle e Victor Lewis, entre outros.

Em 1981, voltou ao Brasil e lançou o LP “Nico Assumpção”, primeiro disco de contrabaixo solo do país. A partir de 1982, passou a atuar, em palcos e estúdios do Rio de Janeiro, tendo participado de gravações com diversos intérpretes, de mais de 400 discos de vários artistas, como João Bosco, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Wagner Tiso, Cesar Camargo Mariano, Ricardo Silveira, Gal Costa, Helio Delmiro, Maria Bethânia, Marcio Montarroyos, Raphael Rabello, Edu Lobo, Léo Gandelman, Toninho Horta e Victor Biglione, entre outros.

Nico excursionou com Milton Nascimento no início dos anos 80 em uma turnê que incluiu shows na Europa e América do Norte registrando com nosso “Bituca” o álbum “Encontros e Despedidas” de 1985. No exterior, tocou e gravou com destacados artistas, como Kenny Barron, Joe Diorio, Eliane Elias, Ronnie Foster, Frank Gambale, Lee Konitz, Michel Legrand, Harvey Mason, Pat Metheny, Airto Moreira, Flora Purim, Ernie Watts, Sadao Watanabe e Phil Woods.

Após assistir à sua apresentação no Free Jazz de 1987, o tecladista Don Grusin afirmou:

“Se eu tocasse baixo, queria ser o Nico Assumpção.”

A partir do final dos anos 80 gravou uma série de álbuns com João Bosco incluindo o disco “Bosco” (1989) que apresenta a faixa “Jade” onde se destaca um lindo solo de Nico no baixo fretless. Em 1992 João Bosco se apresentou numa turnê acompanhado somente pelo contrabaixo de Nico Asssumpção num show memorável. Em 1993 Nico registrou com o guitarrista americano Larry Corryell e o baterista  Billy Cobham o álbum “Live from Bahia” lançado pela gravadora CTI também em formato de vídeo. O álbum tem uma versão antológica da música “Vera Cruz” de Milton Nascimento com uma introdução na qual Nico mostra todo o seu virtuosismo utilizando a técnica de two-hands tapping no baixo Wood de 6 cordas com o qual ele realizou performances memoráveis nos anos 90.

Em 1995 saiu em turnê pelo mundo ao lado do saxofonista Joe Henderson após registrar o álbum “Double Rainbow” que continha vários arranjos para clássicos da Bossa Nova e da Música Popular Brasileira. Trabalhando tanto com o baixo elétrico quanto com o baixo acústico, Nico Assumpção desenvolveu uma técnica própria, tendo introduzido no Brasil os baixos de 5 e 6 cordas e também o baixo fretless.

Em 2000, lançou o livro didático “Bass Solo” (Editora Lumiar). Ainda no final de 2000 foi diagnosticado com câncer e nos deixou no dia 20 de janeiro de 2001 aos 46 anos de idade.

Nico ainda deixou gravado seu último registro chamado “Três/Three” com o trio composto por Lincoln Cheib (bateria) e Nelson Faria – guitarra.

Apresento abaixo um belo exemplo da enorme criatividade e virtuosismo de Nico Assumpção: a transcrição de “Pipoca no Fogo”, composição do maestro e gaitista Rildo Hora gravada CD “Espraiado” de Rildo Hora (1992).

A introdução com a técnica de slap agora sobre levada de baião, é alternada com o uso do pizzicato como na frase dos compassos 10 e 11, A parte “A” do tema tem uma linha percussiva com notas mais curtas no início marcando o início de cada compasso.

A partir do compasso 53 na re-exposição do tema, Nico acrescenta frases em contra-ponto a melodia que remetem a música clássica barroca, especialmente entre os compassos 62 e 72, antecedentes ao belo solo de baixo de 6 cordas entre os compassos 73 e 96,  desenvolvido com acompanhamento do baixo base, previamente gravado.

Destaque para o acorde de B7 tocado em quiálteras no compasso 156, e para os 2 últimos compassos da faixa com uma dobra de difícil execução. Boa prática e até a próxima!


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baixo sire
Alex Rocha

Bacharel em Música pela Universidade Estácio de Sá, Alex Rocha é baixista, compositor, arranjador e produtor musical.

Fez parte da banda do cantor Emílio Santiago de 2003 até 2013 tendo gravado seus DVDs “O Melhor das Aquarelas” em 2005 e “Só Danço Samba Ao Vivo” de 2011, premiado com o Grammy Latino como o melhor álbum de samba em 2012. Seu primeiro CD  solo ”Boas Novas” (Niterói Discos/2003) obteve excelentes resenhas da crítica especializada e foi co-produzido pelo baixista Arthur Maia.

Em 27 anos de carreira, Alex Rocha acompanhou artistas como Victor Biglione, Wagner Tiso, Celso Blues Boy, Bibi Ferreira, Itamara Koorax, Pery Ribeiro, Zé Renato, Leila Pinheiro, Fred Martins e Nico Rezende, e também grandes músicos da cena do jazz internacional, como Eddy Palermo, Phil DeGreg, Jeff Kunkel e Mark Lambert entre outros.

Na Rede Globo de Televisão participou do programa Gente Inocente entre 2000 e 2002, gravando inúmeras trilhas musicais veiculadas pela emissora.

Participou de festivais como: Festival Internacional de Blues do Circo Voador (1993); Nescafé in Blues (SP- 1994); Búzios Jazz & Blues 2000; Festival de Jazz & Blues de Fortaleza -2001; Tribulaciones Jazz Festival (Buenos Aires/2001); Ipatinga Jazz Live (2004 e 2008); Baltimore Waterfront Festival (E.U.A.- 2006); Curitiba Jazz & Blues Festival (2008); Festival de Jazz da Savassi, e Rio das Ostras Jazz & Blues em 2011.

Apresentou-se com seu grupo no 3º Niterói Musifesfest em setembro de 2006 recebendo como convidado especial Toninho Horta. Em 2009 gravou o CD “Aventura” do tecladista José Roberto Bertrami, lançado pela gravadora inglesa Farout Recordings, indicado ao Grammy Latino. No ano 2011 lançou o CD ”Cachet!” pelo selo Niterói Discos, em parceria com o guitarrista Marcelo Frisieiro. Em 2012 participou da gravação do programa “Som Brasil - Clube da Esquina” da Rede Globo de Televisão acompanhando Milton Nascimento, Lô Borges e Wagner Tiso. No mesmo ano passou a colaborar como colunista da revista Bass Player Brasil. No ano de 2014 participou do festival MIDEM em Cannes, França acompanhando o Andrea Dutra Quarteto  e o Cláudio Dauelsberg Trio.

Desde novembro de 2015 acompanha o cantor Daniel Boaventura em shows pelo Brasil. Também faz parte do Osmar Milito Trio e do quinteto liderado pelo pianista e cantor Nico Rezende no show em Tributo a Chet Baker trabalho esse que teve um DVD lançado em fevereiro de 2017 pelo selo Fina Flor.

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