Arthur Maia em 2009
Arthur Maia em 2009. Foto de Otávio Nogueira [CC BY 2.0], via Wikimedia Commons

Difícil dimensionar a perda de um grande músico e artista que muito influenciou toda uma geração de contrabaixistas, na qual me incluo, seja pelo talento, sonoridade, criatividade, presença de palco e imenso carisma. Arthur Maia nos deixou em 15 de dezembro, vítima de um infarto fulminante. Deixo aqui minha homenagem ao ídolo que se tornou meu amigo através dessa biografia com indicações aos que se interessarem em escutar seu trabalho registrado numa extensa discografia.

Arthur Maia nasceu no Rio de Janeiro em 9 de abril de 1962 numa família de músicos. Seu avô J. Cascata, era compositor de sambas e seu tio, Luizão um mestre do baixo elétrico, que gravou centenas de álbuns de grandes nomes da MPB, como João Bosco, Djavan, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque, Marcos Valle, Jair Rodrigues e Paulinho da Viola além de excursionar e gravar com aquela que para muitos foi nossa maior voz feminina de todos os tempos: Elis Regina.

Ainda menino, Arthur e sua família mudaram  para Niterói onde ele começou a tocar bateria. Mais tarde, aos 15 anos, ganhou um baixo do tio Luizão. Extremamente dedicado aos estudos desde então, Arthur sob influência de Jaco Pastorius, logo passou a se destacar na cena musical carioca com seu baixo Fender Precision fretless com captação P/J (Precision adicionado de um captador Jazz Bass próximo à ponte), sua marca no início de carreira. Convidado  em 1980 pelo baterista Pascoal Meirelles, Arthur passou a integrar o quarteto instrumental Cama de Gato. Logo passou a se destacar como músico de estúdio, gravando com Ivan Lins o álbum “Depois dos Temporais” (1983).

O álbum de estreia do grupo Cama de Gato (Som da Gente/1986) apresenta uma de suas grandes composições, “Funchal”,  onde Arthur mostra todos os seus recursos e domínio no baixo fretless. Paralelamente, ainda nos anos 80, Arthur excursionou com Lulu Santos, Djavan, com o trumpetista Márcio Montarroyos e ainda fez parte do grupo pop Egotrip. Em 1988 Arthur registrou o segundo álbum do Cama de Gato – “Guerra Fria” que contém o choro “Cama de Gato” parceria sua com o tecladista do grupo, Rique Pantoja.

Em 1991, gravou seu primeiro álbum solo “Maia” pela gravadora Som da Gente ganhando um Prêmio Sharp. No mesmo ano com o Cama de Gato, lançou o disco Sambaíba. Ainda no início dos anos 90 passou a integrar a banda de Gilberto Gil com quem realizou turnês por mais de duas décadas participando dos CDs/DVDs “Acústico MTV” e do “Quanta Gente Veio Ver ao vivo” cuja música de abertura – “Palco” – tem um antológico solo de baixo de Arthur em sua introdução.

Em 1995 Arthur deixa o Cama de Gato após gravar os álbuns “Amendoim Torrado” 1993 e Dança da Lua (1995). Em 1996 lançou seu segundo álbum solo, “Arthur Maia” também conhecido como “Sonora”. No final dos anos 90, Maia  foi convidado por Ney Matogrosso para realizar a turnê de seu CD “Olhos de Farol”, registrando o DVD “Vivo” de 1999.

2000 marcou o lançamento do CD “Black Fusion Band ao vivo” ao lado do guitarrista americano Hiram Bullock. Já em 2002 foi lançado seu terceiro álbum solo, “Planeta Música” que contou com participações especiais de Paquito D’Rivera, Mike Stern e Marcos Suzano. Em 2010 lançou o quarto album solo, “O Tempo e a Música”.

Desde 2004 quando idealizou e realizou o primeiro Niterói Musifest, festival que apresentava shows e oficinas com grandes instrumentistas, Arthur passou a ter uma atuação ainda mais marcante na cultura da cidade fluminense. Por isso em 2013 assumiu o cargo de Secretário de Cultura de Niterói que exerceu até 2016. Em 2018 produziu e tocou no álbum ainda a ser lançado pela cantora Martnália.

Abaixo temos a transcrição completa da gravação de Arthur Maia em “Cama de Gato” do álbum Guerra Fria de 1988.

Cama de Gato, página 1. Transcrição de Alex Rocha.
Cama de Gato, página 1. Transcrição de Alex Rocha.
Cama de Gato, página 2. Transcrição de Alex Rocha.

Cama de Gato, página 2. Transcrição de Alex Rocha.
Cama de Gato, página 3. Transcrição de Alex Rocha.

Cama de Gato, página 3. Transcrição de Alex Rocha.
baixo sire
Alex Rocha

Bacharel em Música pela Universidade Estácio de Sá, Alex Rocha é baixista, compositor, arranjador e produtor musical.

Fez parte da banda do cantor Emílio Santiago de 2003 até 2013 tendo gravado seus DVDs “O Melhor das Aquarelas” em 2005 e “Só Danço Samba Ao Vivo” de 2011, premiado com o Grammy Latino como o melhor álbum de samba em 2012. Seu primeiro CD  solo ”Boas Novas” (Niterói Discos/2003) obteve excelentes resenhas da crítica especializada e foi co-produzido pelo baixista Arthur Maia.

Em 27 anos de carreira, Alex Rocha acompanhou artistas como Victor Biglione, Wagner Tiso, Celso Blues Boy, Bibi Ferreira, Itamara Koorax, Pery Ribeiro, Zé Renato, Leila Pinheiro, Fred Martins e Nico Rezende, e também grandes músicos da cena do jazz internacional, como Eddy Palermo, Phil DeGreg, Jeff Kunkel e Mark Lambert entre outros.

Na Rede Globo de Televisão participou do programa Gente Inocente entre 2000 e 2002, gravando inúmeras trilhas musicais veiculadas pela emissora.

Participou de festivais como: Festival Internacional de Blues do Circo Voador (1993); Nescafé in Blues (SP- 1994); Búzios Jazz & Blues 2000; Festival de Jazz & Blues de Fortaleza -2001; Tribulaciones Jazz Festival (Buenos Aires/2001); Ipatinga Jazz Live (2004 e 2008); Baltimore Waterfront Festival (E.U.A.- 2006); Curitiba Jazz & Blues Festival (2008); Festival de Jazz da Savassi, e Rio das Ostras Jazz & Blues em 2011.

Apresentou-se com seu grupo no 3º Niterói Musifesfest em setembro de 2006 recebendo como convidado especial Toninho Horta. Em 2009 gravou o CD “Aventura” do tecladista José Roberto Bertrami, lançado pela gravadora inglesa Farout Recordings, indicado ao Grammy Latino. No ano 2011 lançou o CD ”Cachet!” pelo selo Niterói Discos, em parceria com o guitarrista Marcelo Frisieiro. Em 2012 participou da gravação do programa “Som Brasil - Clube da Esquina” da Rede Globo de Televisão acompanhando Milton Nascimento, Lô Borges e Wagner Tiso. No mesmo ano passou a colaborar como colunista da revista Bass Player Brasil. No ano de 2014 participou do festival MIDEM em Cannes, França acompanhando o Andrea Dutra Quarteto  e o Cláudio Dauelsberg Trio.

Desde novembro de 2015 acompanha o cantor Daniel Boaventura em shows pelo Brasil. Também faz parte do Osmar Milito Trio e do quinteto liderado pelo pianista e cantor Nico Rezende no show em Tributo a Chet Baker trabalho esse que teve um DVD lançado em fevereiro de 2017 pelo selo Fina Flor.

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